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Uniformes, por Carlos Guilherme Ferreira em Seg 15 Mar 2010, 13:13
14 de março de 2010 | N° 16274
Como se faz uma camiseta
Vestir os uniformes 2010 da Dupla, como fizeram Regina Janostiac (Inter) e Daiane Steffens (Grêmio), é o desfecho de um complexo processo industrial que pode levar mais de um ano
Respectivamente rainha e princesa do concurso Musa do Gauchão 2009, Regina e Daiane realizaram um ensaio fotográfico com os novos modelitos da Dupla. As outras fotos você confere no blog do Mário Marcos, em www.zerohora.com
Os gremistas já podem sorrir, orgulhosos: a Itália, campeã do mundo, imitará o Grêmio na próxima Copa.
Mário Fernandes e companhia fizeram no dia 6, contra o Porto Alegre, a estreia mundial da linha 2010/2011 da Puma, fornecedora alemã de material esportivo. Vestiram com antecedência de três meses as bases preparadas para a sempre elegante seleção italiana desfilar na África do Sul. Terminaram um processo iniciado com mais de um ano de antecedência e que será contado daqui em diante.
Na maioria dos casos, a largada ocorre no Exterior. Basta que a empresa responsável pelo material esportivo seja multinacional, como acontece com Reebok (Inter, São Paulo e Cruzeiro), Adidas (Palmeiras e Fluminense), Nike (Corinthians) e Umbro (Atlético-PR e Santos), entre outras.
Os departamentos brasileiros de marketing e criação recebem, então, modelos pré-elaborados. Precisam seguir determinados padrões, como a gola da camisa 2009 do Grêmio, estilo “marinheiro”. Vice de Administração do clube, César Pacheco faz coro ao gerente de produtos da Puma, Roberto Araujo: nem por bula papal seria possível alterar aquela gola, ainda em uso pelos franceses do Bordeaux para navegar nas oitavas de final da Liga dos Campeões.
– Era inovadora. E a aprovação das vendas foi boa – diz Pacheco, citando 70 mil camisetas comercializadas só na loja oficial no Olímpico (o total, clube e Puma não revelam).
Mas sempre há modificações, aqui e acolá. O segundo uniforme do Grêmio para 2010 tem layout idêntico ao das seleções africanas apoiadas pela Puma, à exceção da ausência de grafismos no lado direito do peito. Opção dos gaúchos, que preferiram colocar um novo patrocinador no local. A opinião dos jogadores também conta: o capitão Victor fez sugestões sobre a camiseta de goleiro.
Como conta o supervisor de desenvolvimento de produtos da Vulcabras|azaleia, Fernando Costa, o martelo é batido só no segundo ou terceiro encontro com os clubes – ele representa Reebok e Olympikus. No caso do Inter, os primeiros contatos para a coleção 2010 aconteceram ainda no primeiro semestre do ano passado, quando representantes da Reebok foram ao Beira-Rio com provas em papel da coleção para avaliação dos dirigentes. Focaram em aspectos como modelagem, tecido e cor.
O passo seguinte é aplicar as observações em uma peça-piloto a ser apresentada novamente nos gabinetes das direções. Por meio de pesquisas de mercado e de conversas com o próprio clube, chega-se a uma base.
– Eles sabem nossa realidade. A Reebok tem dois profissionais que ficam aqui em tempo quase integral – explica o diretor-executivo de marketing do Inter, Jorge Avancini.
Passam por aí aspectos ignorados pela torcida, como a camiseta branca por baixo do uniforme, nova moda entre os jogadores. Conforme Avancini, Inter e Reebok levarão isso em conta na escolha do material da camiseta 2011, além de padronizar a camiseta de baixo, que será Reebok.
Neste ano, aliás, a grande mudança colorada esteve na tecnologia do tecido e na modelagem, mais justa. Como a camiseta de 2009 representou um sucesso comercial – 150 mil unidades vendidas no ano –, optou-se por um modelo quase igual. Principalmente na cor: o uniforme 1, vermelho, abocanhou 80% das vendas, e é consenso no Beira-Rio que o tom encarnado deve predominar sobre o branco. Vale o mesmo em relação a um terceiro fardamento em cor diferente, pois a direção prefere manter postura conservadora. Equivale a “evitar fugir das raízes”, como explica Avancini.
– Isso se permite nos uniformes de treino. Este ano, vamos entrar com uma cor mais cítrica – anuncia.
No Grêmio, 2010 remeteu a 2001 e a 1995, quando as listras verticais tricolores eram mais largas (e, por coincidência, vieram taças da Copa do Brasil e Libertadores). Trata-se de uma linha “mais clássica”, como aponta o gerente-executivo de marketing, Caco Keller. Os estudos para o novo uniforme começaram em setembro do ano passado, e a aprovação veio num dia quente do começo deste janeiro. Tudo sob sigilo completo, e aí já estamos na fase final do processo.
De fato, uma megaoperação de segurança ronda as peças. Mais do que produzi-las, os fabricantes precisam mantê-las longe de olhares alheios. Por isso, conta Pacheco, os modelos da Puma sequer são enviados por e-mail para avaliação. Tudo é feito olho no olho, e nada fica em Porto Alegre. Este ano, conta o dirigente, ele e Caco Keller só puseram as mãos na nova camiseta pouco antes do jogo contra o Porto Alegre (mas já sabiam como seria, claro). O fardamento chegou à Capital e ficou trancafiado em uma sala da GrêmioMania do Olímpico, com a chave na mão do gerente da loja. A ideia era evitar o que ocorreu nos últimos dois anos, quando o segredo parou na internet antes da hora.
– Este ano, não vazou nada – sorri Pacheco.
Fornecer material esportivo para um time de ponta é uma combinação entre estratégia comercial e oportunidade. Assim fez a Olympikus, que assumiu o Flamengo a um custo aproximado de R$ 20 milhões por ano e, já em seis meses, bateu a previsão de vendas para 12 meses: estimava 1 milhão de camisetas em um ano, mas comercializou 1,1 milhão entre junho e dezembro de 2009.
Por enquanto, o Flamengo é o único clube da marca no Brasil. Mas o supervisor de desenvolvimento de produtos da Vulcabras|azaleia, Fernando Costa, fala em planos de assumir outra equipe da Série A. A Olympikus já fornece para Racing e Lanús, na Argentina. Em dezembro, tentou assinar com o Grêmio, assim como Adidas e Penalty. Mas a Puma venceu devido a uma oferta considerada mais vantajosa pelo vice de Administração, César Pacheco.
– A Puma nos dá um acréscimo, que é a exploração da linha 2 – diz Pacheco, em referência a outros produtos que rendem, segundo ele, R$ 2,5 milhões anuais ao Grêmio.
Conforme Pacheco, a ideia é renovar com a Puma no final de 2010. A Vulcabras|azaleia, portanto, dificilmente conseguirá amarrar as duas pontas do mercado gaúcho, como planejava. Queria fechar o vértice sul de um eixo estratégico formado ainda por Rio (Flamengo), São Paulo (São Paulo) e Minas Gerais (Cruzeiro).
– Três clubes de ponta disputando as mesmas competições, com modelagem padrão, reforçam o posicionamento de marca – explica Costa, falando do trio da Reebok na Libertadores.
Como o Grêmio é o único time da Puma no Brasileirão, a estratégia muda. A gerente de marketing Manoela Daffre fala em identificação da marca através de características do clube e de seus torcedores, como garra e ousadia.
– Vamos continuar trabalhando bem o Grêmio. Não negociamos com nenhum outro time – avisa Manoela.
O Inter também pretende alongar o casamento com a Reebok. Além da satisfação com o produto, o diretor-executivo de marketing, Jorge Avancini, vê a marca como pé-quente. Logo na estreia, em 2006, veio o título Mundial.
O Inter também pretende alongar o casamento com a Reebok. Além da satisfação com o produto, o diretor-executivo de marketing, Jorge Avancini, vê a marca como pé-quente. Logo na estreia, em 2006, veio o título Mundial.
– Sempre ganhamos algum campeonato ao longo do ano – comemora.
Como se faz uma camiseta
Vestir os uniformes 2010 da Dupla, como fizeram Regina Janostiac (Inter) e Daiane Steffens (Grêmio), é o desfecho de um complexo processo industrial que pode levar mais de um ano
Respectivamente rainha e princesa do concurso Musa do Gauchão 2009, Regina e Daiane realizaram um ensaio fotográfico com os novos modelitos da Dupla. As outras fotos você confere no blog do Mário Marcos, em www.zerohora.com
Os gremistas já podem sorrir, orgulhosos: a Itália, campeã do mundo, imitará o Grêmio na próxima Copa.
Mário Fernandes e companhia fizeram no dia 6, contra o Porto Alegre, a estreia mundial da linha 2010/2011 da Puma, fornecedora alemã de material esportivo. Vestiram com antecedência de três meses as bases preparadas para a sempre elegante seleção italiana desfilar na África do Sul. Terminaram um processo iniciado com mais de um ano de antecedência e que será contado daqui em diante.
Na maioria dos casos, a largada ocorre no Exterior. Basta que a empresa responsável pelo material esportivo seja multinacional, como acontece com Reebok (Inter, São Paulo e Cruzeiro), Adidas (Palmeiras e Fluminense), Nike (Corinthians) e Umbro (Atlético-PR e Santos), entre outras.
Os departamentos brasileiros de marketing e criação recebem, então, modelos pré-elaborados. Precisam seguir determinados padrões, como a gola da camisa 2009 do Grêmio, estilo “marinheiro”. Vice de Administração do clube, César Pacheco faz coro ao gerente de produtos da Puma, Roberto Araujo: nem por bula papal seria possível alterar aquela gola, ainda em uso pelos franceses do Bordeaux para navegar nas oitavas de final da Liga dos Campeões.
– Era inovadora. E a aprovação das vendas foi boa – diz Pacheco, citando 70 mil camisetas comercializadas só na loja oficial no Olímpico (o total, clube e Puma não revelam).
Mas sempre há modificações, aqui e acolá. O segundo uniforme do Grêmio para 2010 tem layout idêntico ao das seleções africanas apoiadas pela Puma, à exceção da ausência de grafismos no lado direito do peito. Opção dos gaúchos, que preferiram colocar um novo patrocinador no local. A opinião dos jogadores também conta: o capitão Victor fez sugestões sobre a camiseta de goleiro.
Como conta o supervisor de desenvolvimento de produtos da Vulcabras|azaleia, Fernando Costa, o martelo é batido só no segundo ou terceiro encontro com os clubes – ele representa Reebok e Olympikus. No caso do Inter, os primeiros contatos para a coleção 2010 aconteceram ainda no primeiro semestre do ano passado, quando representantes da Reebok foram ao Beira-Rio com provas em papel da coleção para avaliação dos dirigentes. Focaram em aspectos como modelagem, tecido e cor.
O passo seguinte é aplicar as observações em uma peça-piloto a ser apresentada novamente nos gabinetes das direções. Por meio de pesquisas de mercado e de conversas com o próprio clube, chega-se a uma base.
– Eles sabem nossa realidade. A Reebok tem dois profissionais que ficam aqui em tempo quase integral – explica o diretor-executivo de marketing do Inter, Jorge Avancini.
Passam por aí aspectos ignorados pela torcida, como a camiseta branca por baixo do uniforme, nova moda entre os jogadores. Conforme Avancini, Inter e Reebok levarão isso em conta na escolha do material da camiseta 2011, além de padronizar a camiseta de baixo, que será Reebok.
Neste ano, aliás, a grande mudança colorada esteve na tecnologia do tecido e na modelagem, mais justa. Como a camiseta de 2009 representou um sucesso comercial – 150 mil unidades vendidas no ano –, optou-se por um modelo quase igual. Principalmente na cor: o uniforme 1, vermelho, abocanhou 80% das vendas, e é consenso no Beira-Rio que o tom encarnado deve predominar sobre o branco. Vale o mesmo em relação a um terceiro fardamento em cor diferente, pois a direção prefere manter postura conservadora. Equivale a “evitar fugir das raízes”, como explica Avancini.
– Isso se permite nos uniformes de treino. Este ano, vamos entrar com uma cor mais cítrica – anuncia.
No Grêmio, 2010 remeteu a 2001 e a 1995, quando as listras verticais tricolores eram mais largas (e, por coincidência, vieram taças da Copa do Brasil e Libertadores). Trata-se de uma linha “mais clássica”, como aponta o gerente-executivo de marketing, Caco Keller. Os estudos para o novo uniforme começaram em setembro do ano passado, e a aprovação veio num dia quente do começo deste janeiro. Tudo sob sigilo completo, e aí já estamos na fase final do processo.
De fato, uma megaoperação de segurança ronda as peças. Mais do que produzi-las, os fabricantes precisam mantê-las longe de olhares alheios. Por isso, conta Pacheco, os modelos da Puma sequer são enviados por e-mail para avaliação. Tudo é feito olho no olho, e nada fica em Porto Alegre. Este ano, conta o dirigente, ele e Caco Keller só puseram as mãos na nova camiseta pouco antes do jogo contra o Porto Alegre (mas já sabiam como seria, claro). O fardamento chegou à Capital e ficou trancafiado em uma sala da GrêmioMania do Olímpico, com a chave na mão do gerente da loja. A ideia era evitar o que ocorreu nos últimos dois anos, quando o segredo parou na internet antes da hora.
– Este ano, não vazou nada – sorri Pacheco.
Fornecer material esportivo para um time de ponta é uma combinação entre estratégia comercial e oportunidade. Assim fez a Olympikus, que assumiu o Flamengo a um custo aproximado de R$ 20 milhões por ano e, já em seis meses, bateu a previsão de vendas para 12 meses: estimava 1 milhão de camisetas em um ano, mas comercializou 1,1 milhão entre junho e dezembro de 2009.
Por enquanto, o Flamengo é o único clube da marca no Brasil. Mas o supervisor de desenvolvimento de produtos da Vulcabras|azaleia, Fernando Costa, fala em planos de assumir outra equipe da Série A. A Olympikus já fornece para Racing e Lanús, na Argentina. Em dezembro, tentou assinar com o Grêmio, assim como Adidas e Penalty. Mas a Puma venceu devido a uma oferta considerada mais vantajosa pelo vice de Administração, César Pacheco.
– A Puma nos dá um acréscimo, que é a exploração da linha 2 – diz Pacheco, em referência a outros produtos que rendem, segundo ele, R$ 2,5 milhões anuais ao Grêmio.
Conforme Pacheco, a ideia é renovar com a Puma no final de 2010. A Vulcabras|azaleia, portanto, dificilmente conseguirá amarrar as duas pontas do mercado gaúcho, como planejava. Queria fechar o vértice sul de um eixo estratégico formado ainda por Rio (Flamengo), São Paulo (São Paulo) e Minas Gerais (Cruzeiro).
– Três clubes de ponta disputando as mesmas competições, com modelagem padrão, reforçam o posicionamento de marca – explica Costa, falando do trio da Reebok na Libertadores.
Como o Grêmio é o único time da Puma no Brasileirão, a estratégia muda. A gerente de marketing Manoela Daffre fala em identificação da marca através de características do clube e de seus torcedores, como garra e ousadia.
– Vamos continuar trabalhando bem o Grêmio. Não negociamos com nenhum outro time – avisa Manoela.
O Inter também pretende alongar o casamento com a Reebok. Além da satisfação com o produto, o diretor-executivo de marketing, Jorge Avancini, vê a marca como pé-quente. Logo na estreia, em 2006, veio o título Mundial.
O Inter também pretende alongar o casamento com a Reebok. Além da satisfação com o produto, o diretor-executivo de marketing, Jorge Avancini, vê a marca como pé-quente. Logo na estreia, em 2006, veio o título Mundial.
– Sempre ganhamos algum campeonato ao longo do ano – comemora.
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